A doação de órgãos pode salvar vidas

A dor pela morte de um parente querido pode transformar-se em alegria para outras famílias, uma vez que os órgãos desta pessoa sejam doados. Um indivíduo saudável, que teve morte cerebral decretada, pode ajudar até 14 outras vidas com a doação das córneas, rins, coração, pulmões, pâncreas, entre outros órgãos.

A falta de conhecimento sobre a morte encefálica é a principal causa de recusa de doação de órgãos, apesar de o transplante representar um dos maiores avanços da medicina nas últimas décadas. De todas as mortes encefálicas, pouco mais da metade se transforma em doação e a negativa familiar é o principal motivo para que um órgão não seja doado.

No Brasil, o número de doadores vem crescendo, mas a fila ainda é extensa. 1.662 pessoas doaram órgãos no primeiro semestre de 2017, o que significa um aumento de 16% comparado ao mesmo período do ano passado. Hoje, 26.507 pessoas estão esperando por um rim, um dos órgãos mais esperados. 11.413 aguardam por córnea, 1.904, por fígado, 389, por coração, 203, por pulmão e 64, por pâncreas.

No Estado de São Paulo a fila de espera por um órgão chega a 14 mil pessoas e a principal dificuldade é o convencimento das famílias. Hoje aproximadamente, 40% das famílias não autorizam o procedimento, já na década de 1990, tínhamos um percentual em torno de 70%.

Um exemplo da falta de doadores são os pacientes que precisam realizar um transplante de fígado, situação em que mais da metade morrem antes de conseguir um doador. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), no Brasil, de cada oito possíveis doadores, apenas um será doador com órgãos transplantados.

O ideal é que as pessoas em vida manifestem aos seus familiares o desejo de doar seus órgãos depois da morte. Diversos fatores contribuem para esse quadro, e, certamente, um dos principais é a recusa familiar.

Para ser doador não é necessário deixar nada por escrito, e sim comunicar a família. Haja vista que somente os parentes podem autorizar a doação.

A doação de órgãos pode ocorrer após a constatação de morte encefálica, que é a interrupção irreversível das atividades cerebrais, ou em vida. No primeiro caso, o doador é capaz de salvar ou melhorar a vida de muitas pessoas. Estima-se que 50% das mortes encefálicas não são notificadas.

O doador em vida deve ter mais de 18 anos e boas condições de saúde. Neste caso a doação ocorre somente se o transplante não comprometer suas aptidões vitais.

Pessoas de todas as idades e históricos médicos podem ser consideradas possíveis doadoras. Sua condição médica no momento da morte determinará quais órgãos e tecidos poderão ser doados.

No Estado de São Paulo existe uma central de transplantes da Secretaria de Saúde, uma lista única controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes com a supervisão do Ministério Público.

Doe Órgãos! Avise a família! Convença outras pessoas! Salve uma vida!

Gilberto Natalini
Médico e Vereador PV/SP



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